Novas frentes no tratamento e epidemiologia do câncer de mama: avanços e desafios no Brasil

Novas frentes no tratamento e epidemiologia do câncer de mama: avanços e desafios no Brasil

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação de um medicamento inédito para tratamento de câncer de mama no SUS, o Trastuzumabe Entansina, ampliando opções terapêuticas para casos HER2-positivo que persistem após quimioterapia inicial. Ao mesmo tempo, o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em parceria com o Ministério da Saúde, lançou uma publicação com dados atualizados sobre a incidência, mortalidade e tendências da doença no Brasil. Esses dois movimentos, no campo do tratamento e no campo da vigilância, desenham oportunidades e desafios para a oncologia nacional. Neste artigo, vamos explorar os principais dados, implicações e caminhos que se abrem para a prática clínica e institucional.

1. Inovação terapêutica no SUS: o que muda com o novo medicamento

O que é e para quem se destina

O Trastuzumabe Entansina é indicado para pacientes com câncer de mama HER2-positivo que ainda apresentam sinais da doença após tratamento inicial quimioterápico. Sua incorporação ao SUS representa uma novidade importante no arsenal terapêutico público.

Investimento e custo

O Ministério da Saúde destinou R$159,3 milhões para aquisição de 34,4 mil frascos, divididos igualmente entre dosagens de 100 mg e 160 mg. A negociação resultou em preços cerca de 50% abaixo do mercado: frascos de 100 mg, que custavam originalmente ~R$7,2 mil, foram comprados por ~R$3,5 mil; os de 160 mg, de ~R$11,6 mil, por ~R$5,6 mil. Isso permite otimizar recursos e ampliar o acesso.

Distribuição e protocolos

O medicamento será distribuído às secretarias estaduais de saúde, que o aplicarão conforme protocolos clínicos vigentes. Além disso, foi autorizada a compra descentralizada via APAC (Autorização de Procedimento de Alta Complexidade), o que pode agilizar a entrega local das doses.

Além disso, o Ministério amplia a oferta de inibidores de ciclinas (abemaciclibe, palbociclibe e ribociclibe), já indicados para câncer de mama avançado com receptor hormonal positivo e HER2 negativo.

Ampliação do rastreamento

Em paralelo, o SUS expandiu a faixa etária para realização de mamografia: o exame agora está disponível a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas, fortalecendo o diagnóstico precoce.

2. Panorama epidemiológico do câncer de mama no Brasil

Incidência e mortalidade

O INCA estimou 73.610 novos casos de câncer de mama para 2025. Em 2023, mais de 20 mil óbitos foram registrados pela doença.

A publicação recente evidencia que as regiões Sul e Sudeste lideram em incidência, e que Santa Catarina registra a maior taxa ajustada (74,79 casos por 100 mil mulheres). Em mortalidade, as regiões Sul, Sudeste e Nordeste lideram, com as maiores taxas ajustadas em Roraima, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Tendências por faixa etária

Entre 2000 e 2023, observou-se redução proporcional de mortalidade na faixa de 40 a 49 anos. Parte do sucesso pode estar ligado ao avanço no rastreamento e acesso mais rápido ao tratamento nessa faixa etária.

Fatores de risco e perfil populacional

A obesidade, consumo de álcool e sobrepeso são fatores de risco destacados no relatório. De acordo com o Vigitel 2023, 56,7% das mulheres brasileiras com 18 anos ou mais estão com excesso de peso, índice mais alto no Sul (59,6%), especialmente no Rio Grande do Sul. A prática regular de atividade física, aleitamento materno prolongado e controle do consumo de álcool são apontados como fatores de proteção ainda subutilizados.

Ações de rastreamento

Em 2024, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias, das quais 4 milhões foram de rastreamento (ou seja, em mulheres sem sintomas). Mais de 1 milhão dessas foram feitas em mulheres fora da faixa etária tradicional (50-69 anos).

Esses números indicam um esforço em ampliar cobertura além dos limites demográficos tradicionais, ainda que os níveis de rastreamento organizado permaneçam desiguais entre estados.

3. Desafios e perspectivas para o Brasil oncológico

Infraestrutura e desigualdade regional

Embora o país tenha avançado nos protocolos e expansões terapêuticas, muitas regiões ainda enfrentam escassez de centros de referência, equipamentos diagnósticos e atrasos no tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento.

Tempo de espera e fila de tratamento

Reduzir o intervalo entre diagnóstico e início de tratamento é crucial. O relatório destaca melhorias recentes neste indicador, mas há disparidades regionais.

Sustentabilidade orçamentária

O custo dos novos tratamentos e terapias inovadoras é elevado. A negociação do medicamento com preços mais acessíveis mostra o caminho, mas o SUS precisará equilibrar tecnologia, acesso e finanças de modo sustentável.

Educação em saúde e prevenção

Ampliação da conscientização sobre fatores de risco e adesão ao rastreamento é essencial, principalmente nas populações mais vulneráveis, onde o acesso e a informação ainda são limitados.

Regulação e incorporação de tecnologia

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC) desempenha papel central na adoção de novas terapias no SUS. Protocolos e diretrizes terapêuticas recentes unificaram padrões de tratamento para câncer de mama, fortalecendo a previsibilidade dos tratamentos públicos.

Os recentes anúncios sobre terapia inovadora no tratamento do câncer de mama e a nova base epidemiológica do INCA colocam o Brasil diante de um momento desafiador e promissor ao mesmo tempo. A ampliação das armas terapêuticas no SUS, aliada ao conhecimento atualizado sobre incidência e mortalidade, abre janelas de intervenção, planejamento e fortalecimento da rede oncológica brasileira.

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